O Manancial do Campo Grande, para além
de alguns lavadouros, alimentava diversas fontes e chafarizes, começando pela Fonte de Mijavelhas e pelos lavadouros
públicos que aí existiam, e continuando pelas seguintes fontes e chafarizes: Rua
Garrett, Padrão de Campanhã, Rua das Fontainhas, Terreiro da Batalha, Batalha, Alameda
(Cemitério do Prado), Largo da Polícia, e, os descritos anteriormente, como o
Chafariz da Rua Chã, a Fonte do Largo de S. Sebastião e o Chafariz do Anjo (S.
Miguel) ou do Largo da Sé. Como, em março de 1882, foi
assinado um contrato para abastecimento de água ao domicilio entre a Câmara e a
Compagnie Général des Eaux pour l'Etranger, a água desta companhia passou a
abastecer fontes do Porto, entre as quais a das Fontainhas, Batalha, Rua Chã,
S. Sebastião na Rua Escura e o Chafariz do Anjo S. Miguel.
A Fonte
de Mijavelhas localizava-se junto à nascente do Ribeiro de Mijavelhas que
se situava na área que fica por detrás do Balneário Municipal do Campo 24 de
Agosto. Segundo H. Marçal, 1968, ela era uma fonte de chafurdo devido à sua
localização abaixo do nível da rua. Esta fonte já
existia em 1402 atendendo a que foi ordenado, em 12 de setembro daquele ano, em
sessão da Câmara Municipal, a sua reparação[1].
Na Revista o Tripeiro[2] pode
ler-se que a “Arca do Poço das Patas
sofreu, no ano de 1868, uma reparação, e que, à beira da fonte de duas bicas,
construíram um tanque provido de três canecas de folha de flandres, presas por
cadeias, para uso dos moradores da vizinhança que iam buscar água destinada aos
usos domésticos. Isto é, só as ditas canecas é que mergulhava no tanque,
evitando-se assim, como manda a boa higiene, a conspurcação da água pelo
constante submergir das vasilhas, nem sempre limpas… Para Noroeste, nas
traseiras do Balneário Municipal, em ponto fundo borbulhava uma copiosa
nascente, cuja água alimentava uma fonte de chafurdo ou de afoga caneco,
abastecia um lavadouro grande e outros mais pequenos (destruídos em 1899
aquando da peste bubónica); e, em volumoso regato, deslizava para as bandas do
Sul com direcção ao Monte do Seminário, onde se despenhava no Rio Douro. Poder-se-á
depreender deste texto que terão existido duas fontes no Campo que hoje é 24 de
Agosto? Este relato aponta nesse sentido, mas é importante a confirmação desta
hipótese.. Segundo J. Bahia Júnior, a Arca do Campo Grande recebia, depois do
desaparecimento do Manancial de Mijavelhas, água do próprio Manancial do Campo
Grande, do de Montebelo e algumas minas. A fonte e os tanques associados ao
Manancial do Campo Grande foram aterrados e desaparecerem em meados do século
XIX.
Figura 1 - A Arca do Campo Grande presente na Estação de Metro do Campo 24 de Agosto |
A Fonte da Rua Garrett, localizava-se na Rua
que lhe deu o nome – actual Rua de Padre António Vieira, em Campanhã. Era
alimentada pela água da mina da Póvoa ou de Gaspar Cardoso, cuja entrada se
situava na Calçada da Póvoa. A água era conduzida da mina até à fonte pela
Travessa da Póvoa, Avenida Fernão de Magalhães, Rua Ferreira Cardoso, Rua do
Heroísmo e Rua Padre António Vieira, antiga Rua Garrett. O trajeto a partir do
Campo 24 de Agosto era feito em cano de chumbo. A fonte, reconstruída em 1848, está
atualmente nos jardins da empresa municipal Águas do Porto. Desconhece-se a
data da sua construção. Na caracterização da água desta fonte efetuada por J.
Bahia Júnior, em 1908-1909, verifica-se que a sua qualidade microbiológica era muito
má, imprópria para consumo humano. J. Bahia Júnior testemunhou que os cantos
abrigados do alpendre da fonte serviam de mictório e, num deles encontrou fezes,
concluindo que “...as boas qualidades de
recato (do alpendre), o público porco
aproveita, para servir dos seus recantos como sentinas e mictórios”.
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Figura 2 – A Fonte da Rua Garrett, como se pode apreciar agora nos Jardins da Águas do Porto |
Figura 3 – A Fonte da Rua Garrett, que ficava na rua daquele nome ao lado do prédio n.º 21. A letra F indica a presença de fezes (Fonte: J. Bahia Júnior, 1909, pág. 34) |
A Fonte do Padrão de Campanhã, segundo
Horácio Marçal, 1968, localizava-se em frente à Capela do Heroísmo e foi
substituída pela Fonte da Rua Garrett. A Fonte da
Rua das Fontainhas é referida por vários autores, como Sousa Reis[3],
J. Bahia Júnior, que a localizam na embocadura da rua que lhe dá o nome, abaixo
do Hospital de São Lázaro, segundo Marçal, 1968. Esta fonte foi designada por J. Bahia Júnior,
1909, como Fonte do Regato, “colocada antigamente
à esquina dessa rua e da rua de S. Lazaro, ao lado do Recolhimento das Órfãs”. Note-se que a Rua
das Fontainhas se denominou, primitivamente, de Rua do Regato.
A Fonte Exterior ou da Alameda do Cemitério do Prado do Repouso está
localizada no Largo Soares dos Reis, à esquerda de quem entra no cemitério pelo
portão norte. A fonte deve ter sido inaugurada em simultâneo com o cemitério,
ou seja, em 1839. Esta fonte tem uma única bica situada no centro de um
medalhão, caindo a sua água numa taça. A água e a taça são usadas pelas
floristas que fazem o seu negócio à entrada do cemitério. As vertentes desta
fonte são encaminhadas daquela taça para dois tanques semicirculares com três
metros de diâmetro existentes no interior do cemitério, junto ao muro. A água
destes tanques é usada para rega e limpezas no cemitério. A fonte é abastecida
pelo Manancial do Campo Grande. Tendo como base os resultados dos exames
bacteriológicos realizados, J. Bahia Júnior considerou a água como sendo de
qualidade má.
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Figura 4 - Foto Fonte da Alameda no cemitério do Prado do Repouso |
Na Praça da Batalha, no passado
uma das mais importantes entradas da cidade, no exterior da Muralha Fernandina
e junto da Porta de Cimo de Vila (Silva, 2000), existiram dois chafarizes: um,
apelidado do Terreiro da Batalha, era
conhecido, pelo menos, em 1678[4].
Era um chafariz triangular[5]
que foi remodelado no final do século XVIII e início do XIX, e demolido, em
1830, durante a renovação daquele Largo que deu origem à Praça da Batalha. Com esta
alteração, foi então construída, em 1831, a Fonte
da Batalha (Marçal,
1968). Tanto o Chafariz como a Fonte foram abastecidos pela água do Manancial
do Campo Grande. As vertentes deste chafariz seguiam para o Quartel General,
mais tarde e até há pouco tempo Comando da Policia de Segurança Pública, para o
Recolhimento das Meninas Desamparadas, edifício atualmente ocupado pela
Universidade Lusófona, para o Hospital dos Entrevados e para o Convento das
Religiosas de Santa Clara. Segundo Velasques, 2001, e atendendo a fotografias,
das quais reproduz uma na sua obra, terá existido, sem precisar datas, um
fontenário em ferro fundido, semelhante ao instalado na Praça Carlos Alberto. Próximo dos nossos dias, a Praça da Batalha foi, mais uma vez renovada no
âmbito dos projetos da Sociedade Porto 2001, cabendo-lhe uma nova “fonte” com
recirculação de água. Tendo nascido “torta”, com perdas notáveis de água, a
fonte deixou de funcionar em 2001, Depois de reabilitada, ela regressou à sua
função em dezembro de 2004.
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Figura 5 – Alçado, corte e planta para a arca de água da Fonte da Batalha, por Luís Inácio de Barros Lima. Documento do Arquivo Municipal do Porto https://goo.gl/2pqAFH |
O Chafariz do Largo da Policia, atualmente do Largo Ator Dias[6],
estava colocado ao lado do Recolhimento das Meninas Desamparadas, próximo do
local onde se situava a Porta do Sol da Muralha Fernandina. O chafariz recebia
a água do Manancial do Campo Grande em cano de chumbo (J. Bahia Júnior, 1909).
Os resultados dos exames microbiológicos apresentados na obra deste autor, mostraram
que a água tinha qualidade sofrível.
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Figura 6 – O Chafariz do Largo da Polícia, ou do Largo Ator Dias, como hoje é denominado |
A água do Manancial da Póvoa de Cima, ou do Bispo
e das Freiras, que alimentava o Chafariz de S. Crispim, reunia-se inicialmente
com a água vinda da Arca do Campo da Espinheira que pertencia às religiosas de
Santa Clara. Mais tarde, essa reunião passou a fazer-se na Pia da Fonte da Rua
Firmeza, donde saíam três canos que alimentavam: um a Fonte da Praça ou Mercado
do Bolhão; o segundo, a Fonte do Canavarro, onde
servia a bica sul; o terceiro, a Arca do Manancial da Cavaca ou da Duquesa de
Bragança que
pertencia aos Religiosos Mendicantes da Província de Santo António (Capuchos). O Manancial da Cavaca ou da Duquesa de
Bragança[7]
fornecia 12 penas de água ao Recolhimento de Nossa Senhora da Esperança das
Órfãs, ou de S. Lázaro, à Fonte da Rua de Santo Ildefonso colocada no antigo
Largo das Almas, ao Chafariz do Convento de Santo António da Cidade e à fonte e ao lago que se encontram no
interior do Jardim de S. Lázaro. Herdou o nome de Cavaca da alcunha que o povo
atribuiu à família proprietária do terreno onde se encontrava o manancial. A
Câmara Municipal, em 1839, tomou posse da arca, da água e do extinto Convento
de Santo António, atribuindo ao manancial o nome da rua próxima da arca, ou
seja, Duquesa de Bragança. A Arca, que recebia aquela água, a que vinha dos
campos de Leira Longa e Malmerendas na Póvoa de Baixo, e o excesso da água dos
mananciais do Bispo e das Freiras vindo da Arca da Rua Firmeza, pertenceu aos
Religiosos de Santo António, cujo convento é o atual edifício da Biblioteca
Municipal do Porto. O aqueduto partia da Quinta da Cavaca, atravessava os Campos
de Malmerendas até chegar à rua das Oliveirinhas, passava pela Rua Direita de Santo
Ildefonso, ou 23 de Julho, que
incluía o Padrão das Almas, e chegava a uma pia existente na Rua Murta, atual
Morgado de Mateus, que dividia a água para o Recolhimento de Nossa Senhora da
Esperança das Órfãs, para o Hospital dos Lázaros e Lázaras, da Rua das
Fontainhas, e para a Fonte do Jardim de
São Lázaro. Esta
fonte dava as vertentes ao Recolhimento das Órfãs. Em uma outra nota, J. Bahia
Júnior afirma que “a parte da água que
ainda crescia desta distribuição, ia juntar-se no encanamento que nesse ponto
passava do Manancial do Campo Grande.
Esta junção ainda hoje se faz, mas, em lugar de ser neste ponto, é na
esquina da Rua do Visconde de Bóbeda, tendo portanto a canalização uma direcção
contraria à antiga”. O
sistema composto pela arca e canalizações começou a ser utilizado em 1891. Os
exames microbiológicos obtidos em amostras recolhidas nas duas fontes servidas
por este manancial demonstraram que a água deste manancial era de má qualidade
(J. Bahia Júnior, 1909), imprópria para consumo humano.
Figura 7 – O lago do Jardim de São Lázaro, na atualidade |
O Chafariz de S. Crispim, também conhecido
por Fonte de S. Jerónimo ou por Fonte do Largo da Póvoa, hoje Praça
Rainha Dona Amélia, foi construído pela Câmara Municipal do Porto em 1891. Ele
estava situado quase em frente da Capela de S. Crispim e São Cipriano, no alto
da rua de S. Jerónimo, denominada, a partir de 1913, como Rua de Santos
Pousada. Aquela fonte, que agora se encontra no Jardim do Palácio de Cristal, “tem duas bicas em direcção oposta e a água
chega até elas subindo pelo meio do chafariz e lançando-se no fundo de uma pia,
aberta na sua espessura” (J. Bahia Júnior, 1909). Os exames bacteriológicos
registados por J. Bahia Júnior mostraram que a água era de má qualidade,
estando, por isso, condenada como bebida.
Figura 8 – Chafariz de São Crispim ou do Largo da Póvoa, presentemente no Jardim do Palácio de Cristal |
A Fonte da Rua
Firmeza resultou da reedificação da Fonte da Praça da Trindade, lado poente, desmontada em
1853 (J. Bahia Júnior, 1909). Ela estava situada á esquina da Rua
Firmeza e a Rua D. João IV, primitivamente
Rua Duquesa de Bragança e depois Rua Heróis de Chaves, era abastecido
pela água do Manancial da Cavaca ou Duquesa de Bragança. De acordo com J. Bahia Júnior, 1909, era “nas costas desta fonte que havia
uma espécie de cano de esgoto onde se reuniam varias águas imundas e que
correspondia precisamente ao óculo da abóbada da mina do Manancial da Cavaca
donde caíam grossas gotas sobre a caleira e onde as infiltrações eram
abundantes”. Apesar disso, a água desta fonte foi considerada por J. Bahia
Júnior de qualidade bacteriológica sofrível. Na década de 1950, durante a
construção da Escola Soares do Reis, hoje Escola de Turismo do Porto, esta
fonte foi transferida para a Praça Dr. Teotónio Pereira, mais conhecida como
Praça das Flores.
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Figura 9 - Esquina da rua Firmeza com a rua D. João IV, local onde existiu a Fonte da Rua Firmeza |
O nome
de Bolhão deriva do copioso bolhão de água que brotava num
fundo pantanoso, onde mais tarde se construiu o edifício da Fábrica da Fundição
de Metais do Damásio, ou seja, a nascente da entrada da atual Rua do Bolhão. O Mercado do
Bolhão começou a ser construído em 1837, mas só em 1851 começaram a ser
construídas as suas primeiras barracas. Rodeada por duas rampas que davam
acesso à Rua Fernandes Tomás (Marçal, 1968), foi instalada a
fonte e o respetivo tanque onde os animais bebiam e as peixeiras lavavam as
suas mal cheirosas canastras e oleados (Silva, 2000). Desta fonte há notícias no ano de 1793.
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Figura 11 – O tanque do Bolhão, segundo um original de Alberto Ferreira reproduzido em https://goo.gl/xnteIS |
J. Bahia Júnior, 1909, refere que a Fonte do Bolhão “tem
também a sua nascente própria que, juntamente com esta fonte, fornece alguns
consortes. A sua nascente não é visitável e está situada na rua da Duquesa de
Bragança, nas traseiras do prédio n.º 160, cujo poço lhe corresponde. Segue
deste ponto a sua canalização em grés atravessando a rua em direcção a poente
até á Rua do Malmerendas e descendo esta até ao encontro da Rua de Fernandes
Tomás, seguindo-a, pelo lado norte, até à pia divisória colocada ao lado da
Capela das Almas, em que se vê um óculo fechado com tampa do ferro. Não foi
fotografada esta pia por falta de luz e por haver aí dentro um grande
extravasamento de gás de iluminação e temermos algum desastre se quiséssemos
fotografar à luz do magnésio. Descendo esse óculo, vemos imediatamente por
baixo dele uma pia rectangular de 1 metro proximamente por lado e 0,80 m de
profundidade, recebendo de um lado o cano de grés aferente e partindo do lado
oposto o cano eferente que lança a água em uma segunda pia de pequenas
dimensões, seguindo depois em cano de chumbo até á fonte. A pia está
completamente desprotegida, podendo cair dentro dela a água que em ocasião de
chuvas possa passar entre a porta de ferro e as pedras em que esta assenta. Da
Fonte do Bolhão que era alimentada por quatro bicas, restam hoje apenas duas em
actividade e metade do seu tanque acha-se também destruído em consequência das
projectadas obras a fazer neste local”. Em setembro de 1864, Gavand, no seu estudo sobre a qualidade das águas do
Porto, verificou que a água desta fonte era macia, com uma dureza total de 31
mg/L CaCO3. Sob o ponto de vista bacteriológico, J. Bahia Júnior
considerou a qualidade da água como má, devido, sobretudo, à sua conspurcação
na pia existente ao lado da Capela das Almas. Refere ainda que a qualidade
daquela água piorou a partir de 1899.
A Fonte do Largo do Padrão, do
Senhor do Padrão das Almas, do Padrão, do Poço das Patas ou de Santo
Ildefonso, localizava-se no Largo do Padrão, na esquina das ruas de Santo
Ildefonso (antiga 23 de Julho) e a antiga Rua do Meio, atual Coelho Neto. Esta
fonte, que apenas tinha uma bica, era abastecida pela água do Manancial da
Cavaca ou Póvoa de Cima (Velásquez). Desconhece-se a data da sua construção,
sabendo-se que foi reconstruída em 1891, tendo sido reinaugurada com ruas iluminadas
e com uma festa na qual atuou a banda de música de Matosinhos (Marçal, 1968). Para
Silva, 2000, “foi muito utilíssima não só
para os moradores do sítio mas até para os próprios animais que por ali
passavam em abundância especialmente de manhã na vinda para os trabalhos da
cidade e ao anoitecer, no regresso ao campo”. Em 1909, devido a seca
prolongada, o manancial secou e a fonte passou a ser abastecida com água da
companhia. Como noutros casos, esta fonte tinha duas bicas, uma para a
população em geral e a outra para os aguadeiros. Enquanto servida pela mina da
Cavaca, a água desta fonte era bacteriologicamente muito má (J. Bahia Júnior,
1909).
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Figura 12 - Fonte do Largo do Padrão (J. Bahia Júnior, 1909, pág. 47) |
O Chafariz do Convento de Santo António da
Cidade localiza-se no Claustro daquele antigo Convento, ocupado, desde
1842, pela Biblioteca Pública Municipal. Naquele espaço funcionou, entre 1710 e
1789, o Hospício Franciscano. O convento, pertença dos frades menores
reformados de São Francisco, começou a ser
construído em 1783 e, em 1832, data em que os frades o abandonaram como
consequência da decisão do Governo Liberal de extinguir os Conventos, ainda não
estava completo. O Chafariz ostenta a data de 1789, ou 1831 segundo uma ficha
do IHRU (Instituto Da Habitação e da Reabilitação Urbana[8].O
chafariz tem um tanque quadrangular com semicírculos nas quatro faces que
recebe a água de uma taça com forma equivalente à do tanque.
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Figura 13 – O Chafariz do Convento de Santo António da Cidade, atual edifício da Biblioteca Municipal do Porto |
A Fonte
do Jardim de
S. Lázaro,
possivelmente um lavatório onde os sacerdotes lavavam as mãos antes e depois
dos atos litúrgicos (Silva, 2000), está esculpida em mármore branco e com tons
rosados, com duas bicas que abrem para uma taça semicircular apoiada numa
coluna central em forma de pêra. Na parte superior uma prateleira trabalhada de
folhas suporta um vaso de flores. A pia está encostada e enquadrada por um
suporte de mármore em que dois pilares se encimam por volutas que apoiam o
frontão semicircular envolvido numa grinalda e tendo ao centro uma concha. A
parede de granito onde o conjunto se encosta é encimada por dois pináculos e
tem ao centro uma outra concha. Esta fonte pertenceu à sacristia do
extinto Convento dos Religiosos Dominicos, cuja Igreja foi demolida para
ampliar a rua Ferreira Borges (J. Bahia Júnior, 1909), tendo sido transferida, em 1838,
para o Jardim de S. Lázaro. Sobre esta fonte há que fazer um sério aviso: ela está-se
degradando intensamente porque o seu calcário está sendo atacado pela chuva
acidificada pelo dióxido de carbono libertado pelos escapes de automóveis, camionetas
e autocarros que passam permanentemente a seu lado. O mais aconselhável será
revesti-la por uma película transparente.
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Figura 14 - A Fonte do Jardim de S. Lázaro nos nossos dias |
Figura 15 – Pormenor da Fonte de São Lázaro onde se reconhece o desgaste provocado pela chuva ácida |
A Fonte do Canavarro,
ou Segunda Fonte de Santa Catarina foi reconstruída
por volta de 1810, desconhecendo-se a data da sua construção. Encontrava-se à
direita de quem sobe a rua de Santa Catarina, logo acima da esquina da rua
Firmeza, no local que foi conhecido por Padrão das Almas de
Santa Catarina (Marçal, 1968). Tomou o nome do proprietário da quinta que lhe era
fronteira, Filipe de Souza Canavarro[9]. A fonte tinha um grande tanque e três bicas, embora
apenas funcionassem duas. Uma delas era alimentada pelos
Mananciais do Bispo e das Freiras; a outra, por uma mina sita no alto da mesma
Rua de Santa Catarina. Desta mina era também abastecida a Fonte Seca, situada
também na Rua de Santa Catarina, próxima da travessa do mesmo nome, que já
estava seca em 1909 (J. Bahia Júnior, 1909). Bacteriologicamente, a água da
Fonte do Canavarro era bastante má.
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Figura 16 – A Fonte do Canavarro, situada no lado nascente da Rua de Santa Catarina (J. Bahia Júnior, 1909) |
[1] “Vereaçoens – anos de 1401-1449”. Documentos e Memórias para
a História do Porto – XL Gabinete de História da Cidade. Câmara Municipal do
Porto. 1980. p. 168.
[2] O Tripeiro, Série VI,
Ano XII
[3] Sousa Reis, H. D.,
1984, Apontamentos para a verdadeira história antiga e moderna da cidade do
Porto, I Volume, manuscritos inéditos da Biblioteca Municipal do Porto – 2ª
Série, Porto.
[4] Gomes Leite, 1836.
[5] Ferreira
Alves, Joaquim Jaime B. 1988. O Porto na época dos Almadas – Arquitetura, Obras
públicas (período 1757-1804). (Volumes I e II) Dissertação de doutoramento em
História de Arte apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
[6] O actor António Dias Guilhermino, mais
conhecido por Actor Dias, nasceu em Maiorca, Figueira da Foz, em 1837, em 1840.
Actuou em todo o país, sobretudo em Lisboa e Porto, e trabalhou em vários
teatros do Brasil. Por ser seu admirador, Camilo Castelo Branco adaptou para o
actor a comedia francesa “O Assassínio de Macário” onde Dias interpretava o
papel de “Velho”. Morreu, em 1893, fulminado por uma congestão cerebral quando
representava a comedia “Solar de Barrigas” no Teatro Príncipe Real, do Porto.
Fontes: Blog “Álbum Figueirense” de 26/10/2004
(https://goo.gl/rZGWnn) e Ilustração Portuguesa N.º 877 de 9/12/1922, pág
19 (https://goo.gl/mAhOjH), consultados em 1/1/2017. No sítio “Toponímia do
Porto” (https://goo.gl/PDgUel), consultado na mesma data, afirma-se que o actor
Dias nasceu no
Porto.
[7] A descrição deste manancial condensa
descrições de J. Bahia
Júnior, 1909, Gomes Leite, 1836 e Sousa Reis, 1984.
[9] Filipe de Sousa Canavarro,
tenente-general, Governador de Armas do Partido do Porto, exercendo este cargo
até 24 de Agosto de 1820, altura em que se aclamou a Constituição Politica.